O idoso e a tecnologia
Vivemos uma era em que tudo precisa ser rápido, digital e automatizado. E, sem perceber, começamos a chamar exclusão de eficiência. Talvez uma das violências mais silenciosas do nosso tempo seja aquela que não grita, não agride fisicamente, mas constrange, invisibiliza e faz alguém sentir que já não pertence ao mundo que ajudou a construir.
Quando um idoso precisa implorar ajuda para acessar o próprio banco, marcar uma consulta ou exercer direitos básicos porque agora tudo é aplicativo, existe ali uma violência simbólica disfarçada de modernidade. Não é sobre rejeitar a tecnologia, é sobre questionar à quem ela está servindo.
Uma sociedade verdadeiramente evoluída não abandona quem tem mais dificuldade de acompanhar suas transformações. Ela cria pontes, ensina, acolhe o oferece alternativas. Porque progresso sem acessibilidade não é progresso, é seleção social.
E talvez o mais preocupante seja a naturalização disso. Frases como ah, mas é só aprender ignoram limites cognitivos, emocionais, sociais e até afetivos. Ignoram o medo de errar, a vergonha de não entender, a solidão de depender sempre de alguém.
A violência moderna nem sempre vem em forma de ataque. Às vezes ela vem em letras pequenas, senhas, QR Codes, reconhecimento facial e atendimentos que nunca chegam em um humano. Estamos ficando mais tecnológicos, sim. Mas será que estamos ficando menos humanos?
A verdadeira inovação deveria facilitar a vida sem retirar dignidade. Porque quando uma sociedade abandona aqueles que vieram antes dela, não está evoluindo, está apenas acelerando.
