Abordagem: Luto

Luto: Um processo que merece espaço e cuidado

O luto é uma resposta natural à perda. Não é doença, não é falha emocional. É o testemunho do amor, do vínculo e daquilo que foi significativo em nossa história. Pode emergir diante da morte de alguém querido, de uma separação, da perda de um trabalho, da maternidade não vivida ou de qualquer situação que rompa aquilo que dava sentido à vida.

Na clínica que conduzo, compreendo o luto a partir de autores que o humanizam, como Colin Murray Parkes, John Bowlby, William Worden, Robert Neimeyer, Maria Helena Franco, Gabriela Caselatto e tantos outros que o reconhecem como um processo de reconstrução de significado, e não como algo a ser superado.

Utilizo como referência o Modelo Dual do Luto, que compreende que não vivemos esse processo de forma linear: oscilamos entre enfrentar a dor e tentar retomar a vida, em um movimento contínuo de perda e restauração. É natural haver dias de colapso e outros de respiro. Ambos fazem parte da travessia.

Quando buscar apoio terapêutico para o Luto

Cada pessoa tem um ritmo. Não há prazos. Mas o sofrimento pode se intensificar e se cronificar a depender de fatores como:

  • Tipo de perda (inesperada, traumática, violenta, perinatal)
  • Vínculo com quem partiu
  • Circunstâncias do luto (solidão, interrupção de rituais)
  • Rede de apoio disponível
  • História de vida, estrutura emocional, espiritualidade e tempo psíquico


O acompanhamento terapêutico pode ser indicado quando:

  • A dor parece estagnada ou insuportável mesmo após semanas ou meses
  • Você sente que está “preso” a memórias, com dificuldade de retomar vínculos ou projetos
  • Há sofrimento intenso acompanhado de sintomas como insônia, culpa excessiva, isolamento, desesperança ou pensamentos sobre não querer mais viver
  • A ausência tornou-se um lugar de paralisação e não de transformação


O objetivo do acompanhamento não é esquecer, muito menos “superar”, mas reconstruir caminhos de significação, abrir espaço para que a dor se expresse e seja cuidada.

Avaliação Individual

Na primeira escuta, conduzimos uma conversa delicada e respeitosa sobre sua história de perda: como foi, quando foi, quem foi, o que ficou.

Nada é imposto. Questionários e escalas são utilizados apenas se houver necessidade clínica, como ferramenta complementar para orientar intervenções, e nunca como critério absoluto. O foco é sempre você, sua dor, sua história, e não o que a técnica define como “normal”.

Caminho Terapêutico

O plano terapêutico é vivo, único e sem prazo definido. Ele é construído junto com você, respeitando o seu tempo, os seus limites e seus afetos.

Utilizo recursos e abordagens com respaldo científico e ético, como:

  • Psicoterapia narrativa e as práticas de Neimeyer, que ajudam a resignificar a relação com quem partiu
  • Modelo dos Quatro Tarefas do Luto (Worden), quando apropriado, como apoio estruturante
  • Rituais simbólicos e expressivos, como caixa de memórias, álbuns, cartas, criação de objetos, arte, escrita terapêutica
  • Técnicas de relaxamento e grounding, especialmente em casos de luto traumático
  • Espaço para rituais de despedida e elaboração espiritual, se fizer sentido para você
  • Mindfulness, EMDR e recursos de regulação emocional, quando houver trauma associado ou bloqueios emocionais


A escuta é ética, técnica e profundamente humana. Aqui, o sofrimento é legitimado, a dor não é apressada e a ausência é reconhecida como parte da vida.

Acompanhamento

Ao longo das sessões, caminhamos lado a lado. Avaliamos juntos o que mudou, o que continua difícil, o que pede pausa e o que pode ser nutrido.

As ferramentas terapêuticas são revistas com delicadeza. Podemos incluir exercícios como:

  • Diário de memórias e emoções
  • Expressões artísticas simbólicas
  • Ritualização da ausência
  • Criação de novos significados sobre o vínculo perdido


O acompanhamento é fluido. Acolho as mudanças, os silêncios, os retornos. A clínica não impõe metas, ela oferece presença.

Perguntas & Respostas

Sim. A dor do luto não obedece a calendário. O que importa não é o tempo que passou, mas como você está vivendo esse tempo.

Não como um ponto final. Mas ele pode se transformar. A ausência permanece, mas pode deixar de ser um buraco para tornar-se memória viva, presença simbólica, amor ressignificado.

Quando a dor deixa de ser movimento e torna-se paralisia. Quando o sofrimento isola, silencia, consome. Ou, simplesmente, quando você deseja um espaço seguro para ser cuidada(o).

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