O mês de outubro é internacionalmente reconhecido como um período de conscientização sobre o câncer de mama. Mais do que alertar para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, o Outubro Rosa nos convida a olhar para as mulheres que vivem o adoecimento em todas as suas dimensões: física, emocional, social e existencial.
Os múltiplos lutos
Receber um diagnóstico de câncer de mama não é apenas um impacto clínico; é também uma ruptura simbólica com a vida tal como era antes. Surge um caminho permeado por múltiplos lutos:
- Luto pela saúde perdida, ao se deparar com a fragilidade do corpo;
- Luto pela feminilidade e imagem corporal, especialmente diante da queda de cabelo, da mastectomia ou das mudanças no corpo;
- Luto pelos sonhos interrompidos, quando projetos precisam ser suspensos ou abandonados;
- Luto pela rotina anterior, já que consultas, exames e tratamentos passam a ocupar grande parte da vida.
Cada uma dessas perdas gera dor, medo e insegurança. Muitas mulheres relatam sentimentos de vulnerabilidade e de isolamento, como se tivessem perdido não apenas uma parte do corpo, mas também a continuidade de sua identidade.
O papel do psicólogo
É nesse contexto que o papel do psicólogo se torna essencial. O atendimento psicológico pode ajudar a:
- Oferecer um espaço de escuta e acolhimento;
- Nomear e legitimar as dores emocionais, muitas vezes silenciadas;
- Trabalhar a ressignificação da autoimagem e da autoestima;
- Auxiliar no enfrentamento do tratamento e das incertezas;
- Favorecer o fortalecimento de redes de apoio (família, amigos, grupos de pacientes).
O psicólogo, portanto, caminha junto com a paciente nesse processo, ajudando-a a encontrar sentido em meio à dor e a reconstruir sua narrativa de vida, mesmo diante das rupturas.
Cuidar da mente é indispensável
O Outubro Rosa nos lembra que o cuidado não é apenas preventivo, mas também humano. Cuidar do corpo é fundamental, mas cuidar da mente e das emoções é igualmente indispensável. Afinal, quando falamos de saúde, falamos de um ser biopsicossocial e espiritual.
Que este Outubro Rosa seja um convite à prevenção, ao autocuidado e, sobretudo, ao acolhimento integral das mulheres que enfrentam o câncer de mama.
