Os transtornos de personalidade são padrões persistentes de sentir, pensar e se relacionar que se desviam significativamente das expectativas culturais e geram sofrimento ou prejuízo na vida da pessoa. No Grupo C do DSM-5, estão reunidos os transtornos caracterizados por ansiedade e medo predominantes:
- Transtorno de Personalidade Evitativa
- Transtorno de Personalidade Dependente
- Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsiva
Embora diferentes entre si, esses quadros compartilham uma base comum: a dificuldade em lidar com inseguranças internas e medos que influenciam diretamente os relacionamentos e a forma de enfrentar o mundo.
Transtorno da Personalidade Evitativa
A pessoa com esse transtorno sente um desejo intenso de se conectar, mas o medo da rejeição e da crítica a paralisa.
Ela evita situações sociais, não porque não valorize os vínculos, mas porque teme profundamente não ser suficiente.
Essa hipersensibilidade pode levá-la a interpretar pequenos sinais como rejeição, reforçando o isolamento.
Transtorno da Personalidade Dependente
Aqui, o medo central é ficar só.
O indivíduo apresenta dificuldade em tomar decisões sem validação externa, tende a se submeter em relações e sente necessidade constante de ser cuidado.
Essa dependência emocional pode gerar relações marcadas por desequilíbrio, onde a pessoa abre mão de si mesma para não correr o risco de perder o outro.
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
Diferente do TOC (transtorno obsessivo-compulsivo de ansiedade), esse quadro é marcado por rigidez, perfeccionismo e necessidade de controle.
A pessoa sente que precisa seguir regras, padrões e detalhes de forma extrema, o que compromete a espontaneidade e a flexibilidade nos relacionamentos e no trabalho.
Muitas vezes, essa busca incessante por ordem e perfeição vem acompanhada de altos níveis de ansiedade e frustração.
Por que falar sobre isso?
Esses transtornos são mais comuns do que se imagina: estima-se que cerca de 6% da população possa apresentar algum transtorno do Grupo C. Muitas vezes, eles são confundidos com “traços de personalidade” ou vistos como “jeito de ser”, mas quando inflexíveis e persistentes, podem gerar sofrimento significativo.
A boa notícia é que há tratamento. Abordagens psicoterápicas vêm mostrando eficácia na redução de sintomas e na melhora da qualidade de vida. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também é indicado.
Para concluir
Falar sobre os transtornos de personalidade do Grupo C é reconhecer que, por trás da ansiedade e do medo, existe uma busca legítima por conexão, segurança e sentido. Com acolhimento e tratamento adequado, é possível transformar padrões de sofrimento em caminhos de crescimento e liberdade.
